Monday, April 9, 2007

diário gráfico. ix.04
"The past is something he could see but not touch."

wong kar-wai
in the mood for love

nota: quadro de xisto onde estão nomes de navios e das cidade a que pertenciam. Na sala da antiga companhia de despachantes Tate.

Sunday, April 8, 2007

Monday, April 2, 2007

diário gráfico. ii.04


Nestas casas, há coisas que ficam, há coisas que vão. Os objectos não são apenas mobília, são parte da casa. Com o tempo perde-se esse limite entre objecto e casa, parece que tudo faz parte da mesma matéria, da mesma substância. Tirar um objecto, movê-lo de sítio é como arrancar um bocado de parede. Há mesmo quem refira, que o simples acto de mover uma cadeira terá provocado já a derrocada de uma casa.

plb

Saturday, March 31, 2007

diário gráfico. xxxi. 03

corredores. Prolongam a casa. Prolongam o acaso. Prolongam vozes esquecidas nas paredes. Prolongam a memória. corredores. Quanto mais antigos mais longos parecem ser.

plb

Saturday, March 24, 2007

diário gráfico. xxiv.o3


Algures dentro deste quarteirão, há pequenas quelhas que se escapam da rua, há escadas encobertas que colidem com portões enferrujados, há pequenos pátios separados por muros, há uma figueira, há o chão de granito com uvas em Setembro e não há ninguém, ninguém…Apenas silêncio e o vento esquecido nas árvores.

plb

Thursday, March 22, 2007

XXII.03. diário gráfico

Movendo a cabeça um pouco mais para cima: a clarabóia.

A clarabóia transforma toda a caixa de escadas, acrescenta ao edifício uma espécie de terceira fachada e surpreende o habitante pela quantidade de luz depois desses corredores estreitos e escuros.

Transforma toda esta estrutura num pátio, num pátio coberto, com portas e janelas, talvez até com vasos e plantas, como se fosse de facto espaço exterior.

O vidro e o ferro, que cedo se implantaram na arquitectura portuense, tornaram possível o desejo desse “pátio” no clima húmido e muitas vezes adverso do porto.

plb

Wednesday, March 21, 2007

XXI. 03 diário gráfico


Escadas não servem apenas para subir ou descer. É o mais subtil de todos os espaços, o centro dissimulado do edifício. Deste último patamar posso ver toda a acção e movimento que se desenrola em todos os andares, iluminado por essa clarabóia de vidro que nos projecta para o céu.

A caixa de escadas é aqui espécie de foyer do edifício, a grande recepção que se prolonga na vertical com o seu grande vazio central. O que resulta interessante é esse contraste com o corredor estreito e escuro que leva até à rua.

Da entrada nunca imaginaríamos uma caixa de escadas com tamanhas dimensões nem os mais de 30 metros de comprimento deste edifício.

Estranha contradição, ou talvez não...

plb

Tuesday, March 20, 2007

diário gráfico. XX.03.



Do outro lado, esta rua parece diluir-se lentamente no rio, aqui embate subitamente nesta enxurrada de casas e muros que descem desde a sé.

O porto parece-me sempre como um desses espectáculos de rua, onde toda a gente se junta, onde toda a gente se empurra para ver alguma coisa por cima do ombro do vizinho da frente, com as crianças às costas a gritar e apontar.

Assim me parece o porto num dia de sol, uma imensa multidão irrequieta a olhar desconfiada o rio a passar lá em baixo.

plb

Monday, March 19, 2007

a casa. as transformações. as exposições. as festas. a ribeira. o porto

cusquem em:

http://www.flickr.com/photos/7374241@N03/sets/
diário gráfico. XIX.03 .

A cidade parece diferente quando a vejo deste 4ºandar. A altura intensifica a rua e este pó dramatiza o tempo. Estou só ou não estou só?

plb

Saturday, January 20, 2007

i. introdução

" As coisas duplicam-se em Tlön; propendem igualmente para se apagarem e para perderem os pormenores quando as esquecem as pessoas. É clássico o exemplo de uma ombreira que perdurou enquanto a frequentava um mendigo e que se perdeu de vista à sua morte. Às vezes uns pássaros, ou um cavalo, já salvaram as ruínas de um anfiteatro"

j.l.borges, ficções